Base#1

André Fran

Diretor, escritor, palestrante e jornalista.

Livro “Não Conta lá em Casa”- Amostra Grátis

June 19, 2014

 

Sim, amigos e amigas! Se não bastasse o nosso DVD (que já está muito perto de ser lançado), um livro com diversas histórias passadas em meio a essas emocionantes e interessantes viagens que venho fazendo na companhia de meus 3 grandes camaradas está em processo de produção. Este humilde escriba que vos fala (escreve) fechou contrato com uma grande editora e já está há alguns meses queimando a mufa em textos, revisões, correções e adaptações. O título ainda não está definido, bem como a arte da capa, o texto da orelha, os agradecimentos e etc. Mas, tudo será revelado em seu devido momento!

Acho que é o maior sonho de alguém que trabalha com texto ter seu próprio livro publicado. E, como não poderia deixar de ser, esse sonho habita meu inconsciente desde que entrei na faculdade e decidi que, de alguma forma (sou formado em Jornalismo E Publicidade- Argh!), eu iria fazer da escrita o meu modo de vida.

Diz o ditado que alguém só se sentirá verdadeiramente completo quando tiver um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Eu já tive um filho (de quatro patas, mas vale!). E posso dizer que, graças ao NCLC, já plantei uma árvore e estou prestes a realizar um de meus maiores sonhos profissionais!

Sem mais delongas, gostaria de brinda-los com uma espécie de teaser do que vem por aí no Livro sobre minhas impressões e experiências acompanhando o Não Conta lá em Casa pelos quatro continentes! Um pequeno trecho do capítulo sobre nossa passagem pelo Iraque. Só pra dar um gostinho!

 

IRAQUE
Por: André Fran

 

Estar no Iraque é como participar daquelas partidas de porradobol na escola quando você é pequeno. Quando você é moleque (e essa realmente só se aplica às crianças do sexo masculino) uma das mais adrenalizantes aventuras em sua vida é invadir o jogo de porradobol dos caras mais velhos. Sim, porradobol. Aquela derivação do popular esporte bretão que possui uma única regra: aniquilar o adversário com uma bolada certeira e o mais violenta possível. Você fica lá correndo de um lado pra outro que nem uma galinha sem cabeça, rindo nervoso pela endorfina liberada ante a eminência da catástrofe. Megatons explodindo ao seu redor, forçando-o a mudar de direção em uma corrida frenética a lugar nenhum. O seu cérebro se encontra totalmente vazio, como em um mantra de sobrevivência. Seu único filete de consciência lhe ordena a correr, desviar, fugir. Boom! Outra bomba explode, desta vez no peito de um coleguinha que jaz chorando no chão. A brincadeira para ele acabou. Nessa hora, sua determinação triplica. É uma questão de honra permanecer naquele ringue, entender a lógica por trás daquele jogo irracional, e permanecer até o incerto fim da partida. Em um misto de burrice infantil e estúpida demonstração de coragem, você se diverte adiando o quanto puder o massacre do qual provavelmente cairá vítima. Inconscientemente, esses projetinhos de gente estão vivenciando algo que lhes moldará o caráter para sempre. Um ciclo natural que põe em cheque a evolução da espécie e celebra a hereditariedade da estupidez humana. Um crucial rito de passagem da categoria infanto-juvenil, pois logo começará a fase de se interessar por garotas. E então, grande parte da tranqüilidade, diversão e inocência de sua vida estarão perdidas para sempre.

Fato é que nossa experiência em Bagdá pode se resumir a um misto de medo constante e excitação. Poderíamos comparar com jogar uma partida de porradobol com os Deuses e em solo sagrado! Quatro desavisados brasileiros colocando seu destino a sorte andando assustados em meio a explosões fatais por todos os lados. Estivemos imersos por alguns dias em um autêntico cenário de guerra.